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Colisão de comboios em Espanha faz mais de 60 mortos

Colisão de comboios em Espanha faz mais de 60 mortos

Subiu para 64 os mortos no acidente ferroviário ocorrido na manhã desta quarta-feira, perto da estação de Urda, em Toledo.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
As autoridades confirmam, para já, a existência de 80 pessoas feridas, 50 delas estão em estado grave. Violeta Santos Moura - Reuters

(em atualização)

O Governo de Castilla-La Mancha aponta para a existência de 64 mortos na sequência do acidente ferroviário em Toledo. A informação é avançada pela imprensa espanhola, citando fonte do governo de Castilla-La Mancha. Há também a confirmação de 80 feridos, 50 deles em estado considerado grave.

O desastre deu-se pelas 8h54, segundo fontes dos serviços espanhóis de emergência ouvidas pela imprensa local.

A correspondente da RTP em Espanha, Ana Romeu já está no local e traz os pormenores do resgate das vítimas do acidente.

De referir que na manhã desta quarta-feira,  um comboio abalroou uma outra composição, perto da estação ferroviária de Urda, localidade da província de Toledo, no centro de Espanha. 

À medida que o tempo avança, conhecem-se os rostos das pessoas desaparecidas.

A Confederação Espanhola de Organizações Patronais (CEOE) confirmou que Fátima Báñez, antiga Ministra do Trabalho e da Segurança Social, entre 2011 a 2018, está desaparecida. Viajava no vagão 1 do comboio Iryo e seguia para Sevilha para participar num evento de negócios.

Para o local da colisão, escreve a edição online do jornal La Vanguardia, seguiram "bombeiros de Alcázar de San Juan e Orgaz, a Defesa Civil de várias localidades vizinhas, três helicópteros de resgate médico e duas unidades de terapia intensiva móveis”.

"Pediram-nos que preparássemos um ginásio, caso seja necessário utilizá-lo"
, adiantou o autarca de Urda, Manuel Galán, ouvido pela Televisión Española.


De referir que o comboio AVE 2080, que fazia o percurso entre Madrid e Sevilha com 397 passageiros a bordo, terá colidido na traseira do comboio Iryo 6076, que também viajava entre Madrid e Sevilha, transportando 146 passageiros, e ficou terá ficado parado na via.
Seguro solidário adia comemorações dos 170 anos dos caminhos de ferro
O Presidente da República, António José Seguro, adiou o evento comemorativo dos 170 anos da inauguração dos caminhos de ferro em Portugal, previsto para esta terça-feira à tarde, em solidariedade com as vítimas do grave acidente ferroviário ocorrido na província de Toledo, em Espanha.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República, a 28 de outubro, o chefe de Estado anunciou que a iniciativa foi adiada para data a designar, justificando a decisão com a necessidade de manifestar "solidariedade e respeito" pelas vítimas e pelo povo espanhol.

António José Seguro enviou também uma mensagem de pesar ao rei de Espanha, Felipe VI, na sequência do acidente ferroviário, que provocou dezenas de mortos e numerosos feridos.

Na mensagem, o Presidente da República manifestou "profunda consternação" perante a tragédia e apresentou, em nome pessoal e em nome do povo português, "sentidas condolências às famílias enlutadas e a todo o povo espanhol".

O chefe de Estado expressou ainda votos de rápida recuperação aos feridos, numa manifestação de solidariedade portuguesa para com Espanha num momento de luto nacional.
Espanha admite erro humanoO Governo espanhol considera que um erro humano de um operador da Adif, a empresa pública responsável pela infraestrutura ferroviária, poderá estar na origem do acidente ferroviário ocorrido em Urda, na província de Toledo, segundo informações avançadas pelo jornal espanhol El País.

De acordo com fontes governamentais citadas pelo diário espanhol, a hipótese mais provável aponta para uma falha humana no centro de controle de Atocha.

Entretanto, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou-se "profundamente consternado" com o acidente, expressando "solidariedade e apoio às vítimas e aos seus familiares", numa mensagem publicada na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter.

Entretanto, o Congresso dos Deputados espanhol anunciou o cancelamento de todos os eventos previstos para esta quarta-feira, na sequência do acidente.

Em Madrid, está também a ser preparada uma sala na estação ferroviária de Atocha para prestar apoio aos familiares de possíveis vítimas e feridos. 

Segundo a vice-presidente da Câmara Municipal de Madrid, Inmaculada Sanz, várias equipas do Serviço de Assistência Municipal de Urgência e Resgate (SAMUR) deslocaram-se à estação para organizar o dispositivo de apoio.
Reações via rede social XAs reações ao acidente ferroviário em Toledo multiplicaram-se nas redes sociais, com líderes políticos europeus e a Casa Real espanhola a manifestarem pesar pelas vítimas e solidariedade com as famílias.


O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, apresentou "as condolências e profunda solidariedade às famílias das vítimas". A Casa Real espanhola afirmou estar "comovida e preocupada" com o acidente, partilhando "a dor das famílias e entes queridos dos falecidos". Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou "profunda consternação" e apresentou condolências aos familiares das vítimas. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou: "Hoje, a Europa está de luto com vocês".
Jornalista faz o relato da tragédiaO jornalista do El País Manuel Viejo, que seguia num dos comboios envolvidos no acidente ferroviário em Toledo, descreve um cenário de pânico e confusão nos momentos que se seguiram à colisão. 

No interior das carruagens, vários passageiros gritavam e eram projetados contra os assentos. Entre os feridos, havia pessoas com traumatismos cranianos e fraturas.
Jesús Jerónimo, de 54 anos, que viajava no segundo vagão do comboio de alta velocidade com destino a Sevilha, recorda o impacto: "Estava a trabalhar no meu computador quando senti uma aceleração muito forte e fui projetado contra o banco da frente". O passageiro relatou ainda que "as pessoas foram projetadas para fora do comboio. Pensámos que tínhamos descarrilado".

Já no exterior, os sobreviventes depararam-se com vários feridos e passageiros em estado de choque. "Havia muitos feridos e muitas pessoas estavam abaladas", contou Jerónimo, acrescentando que alguns passageiros procuravam ajudar as equipas de emergência, segurando "sacos de soro com as mãos".

Também alguns trabalhadores que se encontravam numa propriedade próxima acorreram ao local. "As pessoas estavam a tentar sair pelas janelas", relatou David Gómez, que, juntamente com os colegas, ajudou a libertar a área e a prestar os primeiros socorros.

Saliente-se que este acidente aconteceu poucos meses depois do acidente ferroviário de Adamuz (Córdoba), que deixou 46 mortos após um comboio da linha Iryo (Málaga-Madrid) descarrilar e invadir a linha adjacente e colidir com um trem da linha Alvia (Madrid-Huelva).
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